O mundo em uma taças

Dê-me uma taça com um pouco de vinho, que


viajarei pelo mundo através de seus goles.






segunda-feira, 30 de maio de 2016

Um parabéns à Antoninho Calza e seus ótimos vinhos!

 

Ainda acho que tem muita gente procurando qualidade com vinhos estrangeiros e esquecendo os nacionais. Trago aqui, dois vinhos de um mesmo produtor, muito menos badalado que seus concorrentes gaúchos, mas com qualidade em todos os seus produtos. Antoninho Calza é o enólogo e proprietário da Calza Júnior, locada em Monte Belo do Sul, Vale dos Vinhedos. Por sair somente um pouquinho do trajeto habitual do turistão, acaba sendo desconhecida da maioria. Ahhhh Antoninho, se soubessem de sua existência... A ida à sua vinícola vale, por si só, da beleza e tranquilidade do lugar, mas se completa com a simpatia dos proprietários e a qualidade dos seus vinhos. Seus espumantes não fogem à regra da boa qualidade do Vale dos Vinhedos, com destaque para seu espumante rosé.


Este aqui é um belo espumante tradicional com bom perlage, aromas de fermentação e propício à alguma evolução.


 
Seus tintos são modernos e fáceis de beber, sem explosão de frutas ou excesso de madeira. Aliás, Antoninho utiliza carvalho francês, americano e esloveno, se diverte como poucos na mistura deles. Isso, ninguém me contou ou lí, eu ví e experimentei direto da barrica e em cortes feitos na hora. Olhem a coloração deste Tannat! E tem gente procurando milagre por preço baixo no Uruguai... Essa cadelinha aí é a Pimenta. Grande Antoninho!



Donatella Cinelli Colombini Rosso del Colle


 Vinho de entrada da vinícola da Toscana, famosa por propagar que seus vinhos só passam por mãos femininas, do plantio ao engarrafamento. O quê dizer dele? Em primeiro plano, a foto de cima traz o que tem de melhor: sua linda coloração rubi brilhante! Sim, também é bem aromatico, dando ênfase à frutas vermelhas frescas e tem notável acidez gastronômica, mas pelo preço que custa, acho que a mulherada que fez este vinho vai ter que rever seus conceitos de venda. É bom, mas tem vinho muito melhor por este preço.



terça-feira, 24 de maio de 2016

Goulart The Marshall Malbec reserva 2011

 

Muito oportuna esta postagem. Acabei de postar um grande malbec argentino e agora trago um convencional malbec argentino. Calma, não é ruím. É bom, mas é tudo aquilo que você leitor já conhece: fruta madura, equilíbrio com a madeira, sedosidade em boca e final agradável. Bom vinho, mas não entrega novidade alguma. Bem feito, sem defeitos aberrantes, cumpre seu papel. Pena que o abri após um outro malbec argentino excepcional (Vallisto), talvez tenha sido prejudicado em função disso. Acho que poderia custar um pouco mais barato.




Vallisto malbec 2010

 
Excepcional vinho! Esqueçam aquela definição clássica de malbec argentino, como um vinho frutado, carnudo, amadeirado, violáceo, blá, blá,blá... Foge totalmente da regra. Aqui, estamos diante de um vinho aromático, elegante e complexo. Vejam a coloração bela! Aromas intrigantes e cheios de vida com um toque de evolução no ponto! O defumado não pesa e chama o vinho à boca, onde se mostra de rara elegância para um malbec argentino. Tenho gostado muito mais dos malbecs argentinos provenientes de outras regiões, que não sejam de Mendoza, justamente para sair da mesmiçe. Valle de Cafayate, em altas altitudes tem rendido boas experiências. Arrebentou com uma picanha na grelha! Vinho para grandes momentos. Para mim, um churrasco de sábado com minha esposa e filhas é um grande momento!



sexta-feira, 20 de maio de 2016

Wals Pilsen

 

O blog abre espaço para cerveja! A cervejaria Wals está locada em Belo Horizonte e nos presenteia com algumas das melhores cervejas do país. Essa aí é uma pilsen no estilo bohemia. Tem mais cor, mais corpo e é mais amarga. Mais lupulada, até pode ser confundida com uma IPA mais leve. Boa de briga, pede aperitivo e refresca bem. Para sair da rotina dessas porcarias de supermercado, suba seu nível!



Farizoa 3 castas tinto 2014

 
Vinho que veio do clube wine, o qual anda enviando só japonês (tudo igual). Mas, este vinho foi uma grata surpresa! Elaborado no Alentejo (que novidade...) com as uvas aragonez, Alicante bouchet e syrah e breve estágio em barricas (sabe-se lá de que uso foi), cumpriu muito bem seu papel de ser um vinho de dia-a-dia com algo mais. Bonito na taça, muito aromático e bom de boca, é leve sem perder o corpo, tem boa acidez e álcool na medida. Sem defeitos para seu preço. Poderia ser mais vezes assim, né Wine?



terça-feira, 17 de maio de 2016

Alma Penada by Eduardo Zenker

 
Eduardo Zenker dispensa apresentações aos enófilos mais experientes, mas aos que ainda não o conhecem, trata-se de uma dessas figuras diferentes, criativas e muito carismáticas que temos o prazer de conhecer em nossa vida. Zenker é um produtor de garagem (literalmente) locado em Garibaldi e que produz vinhos naturebas ou com grande base natureba, com uvas de vinhedos próprios ou compradas de produtores locais. É um diferentão fácil de gostar, um cara bacana e dedicado. O vinho que trago é o Alma Penada 2013, elaborado com 100% ancellotta. O nome se deve porquê os vinhedos que deram origem à este vinho foram dizimados do mapa. Em protesto à destruição de um vinhedo capaz de produzir uvas magníficas que originaram este belo vinho, Zenker o batizou como Alma Penada, ou seja, não teremos jamais uma outra versão ou safra deste vinho.


Com coloração violácea quase que intransponível, o vinho traz aromas de natureba mesmo, lembrando aquele mato com esterco no fundo, mas com predominância clara de tutti-frutti, igual aqueles mini chicletes de nossa infância.


Na boca, confirma-se a tendência natureba do vinho, sendo mais leve e com um toque de agulhada na língua, também com herbáceo evidente. Leve no sentido de ser um vinho solto, mas tem boa estrutura, bom volume e ótimo final. Muito agradável, mas para enófilos que procuram algo diferente. Se você é um daqueles que se apaixonam por bombas argentinas e chilenas, não comprem este vinho. Belo trabalho, Zenker!



segunda-feira, 16 de maio de 2016

Feteasca neagra Private reserve Cramele Halewood 2013






Belo vinho romeno, elaborado por uma uva diferente, a feteasca neagra, com 12 meses de passage por barricas. Visual bonito, leve e brilhante. Nariz bem aromatico e uma boca redonda preservando acidez fazem deste exemplar um honestíssimo negócio. Bebe-se fácil uma garrafa e deixa saudades. Sem defeitos, briga com vinhos que custam o dobro. Cabe fácil num bom almoço ou jantar de fim-de-semana, por ser gastronômico e um pouco intrigante.





sexta-feira, 13 de maio de 2016

Johann Maximilian Pinot noir 2005




Pois é, dê de cara com uma promoção, encontre algo diferente do que você está acostumado, saia do seu "porto seguro", arrisque e no fim, apenas terás duas conclusões: "fiz merda!" ou "sou um gênio". Não, nem um, nem outro. Experiências sem certeza do resultado é o que existe de mais intrigante dentro da enologia e se nem sempre o resultado for satisfatório, garanto que em 100% das vezes será de profundo aprendizado. Mas, na maioria das aventuras, dá certo! Foi o caso desse pinot noir alemão já bem velhinho e divinamente sedutor. Visual impactante de muita evolução, aromas bem definidos de um médio pinot que virou um velho sábio e boca corretíssima que lambe os beiços. Não sei como era na juventude, mas este senhor mostra muito bem suas virtudes. Um vinho diferenciado pela sua idade e por um preço aquém do seu real valor. Por enquanto, deliciem-se com seu lindo visual.



segunda-feira, 9 de maio de 2016

Que tal simplificarmos um pouco?



Trabalho, família, trabalho, família, vinhos, trabalho, basquete, família, corrida, trabalho, família, viajem, clubes, trabalho, família, ufa!!! Sim, é a enésima vez que fico ausente do blog e retorno. Mas, agora é para valer! Gosto disso e atualmente, estou com mais tempo para me dedicar à este prazer. Digo mais, à cada pausa, ganho mais experiência enologica e de vida, sabendo mais o que escrever, de forma simples e direta! E para reiniciar, que tal simplificarmos um pouco essa história de dividir o vinho em categorias? Sim, este sempre foi um tema que me intrigou, simplesmente porque não há um consenso, também não quero criar uma nova linha de pensamento, mas aqui vai minha idéia, após 10 anos degustando vinhos:

Categoria vinhos ruins: é qualquer vinho que tenha um defeito aberrante (alta acidez, excesso de madeira, pouco ou quase nenhum corpo, ausência de aromas, etc.) ou esteja estragado, tornando-o intragável ou impossível de beber. Nesta categoria, não tem sub-divisões, coloque tudo no mesmo saco e jogue fora. Você não deve bebê-los!

Categoria vinhos bons: aqui se encaixam a imensa maioria dos vinhoa bebidos nos dias de hoje, visto que a qualidade media da produção das vinícolas melhorou muuuuuuito nos últimos anos e, cada vez mais, os vinhos são perfeitamente palatáveis. Nesta categoria estão incluídos os seguintes vinhos:
Vinhos para o dia-a-dia: vinhos simples, porém prazerosos, podem acompanhar um bate-papo informal, uma pizza, esfihas e comidinhas simples como hamburges, kibes, lanches em geral ou simplesmente tornar mais agradável seu final de noite.
Vinhos superiores: vinhos mais complexos, que se diferenciam dos anteriores por um simples motive: te fazem pensar, utilizer sua massa cinzenta para descobrir seus aromas. Ótimos para acompanhar jantares e almoços de fim-de-semana ou para beber junto com um amigo enófilo.
Vinhos particulares: coloque aqui os vinhos elaborados por métodos diferentes do tradicional e que trazem características únicas. São os naturebas, biodinâmicos, de autor, laranjas, etc.
Categoria vinhos diferenciados: o próprio nome já diz! São vinhos, que por uma característica ou outra, te emocionam! São os grandes ícones de vinícola, os vinhos bem envelhecidos e raridades de minúsculas produções. Podem ser caros, muito caros ou caríssimos, mas baratos não são!


É isso! Escrevi este post para ajudar o leitor à entender melhor minhas postagens daqui para frente. Abraços!

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Abreu & Garcia chardonnay 2012

Vinho de Santa Catarina, produzido por vinícola familiar. Tenho gostado dos vinhos de Santa Catarina e confesso que esta vinícola me despertou interesse, então comprei esta garrafa, mesmo sem o aval do dono da loja e o mesmo tinha razão. A vinícola ainda engatinha, por isso não quero ser duro. Com visual amarelo ouro, aromas de querosene e petróleo, além de pesado na boca, o vinho não emplacou e chegou à ser desagradável em alguns momentos. Os gauchos dominam a chardonnay no Brasil, com raras excessões. Classificação: *

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Ventisquero Root: 1 cabernet sauvignon 2013

Maior parte de cabernet sauvignon e um pouco de syrah, com 70% passando 10 meses em carvalho, compõe este vinho do Colchagua. Poucas arestas, compacto, boa acidez, só peca no álcool um pouco evidente. Em comparação, é melhor que o cassillero del diablo cabernet sauvignon. Agradável, bom para o dia-a-dia. Classificação: ***

Dehesas viejas joven 2013 e Desehas viejas roble 2013

São os vinhos do clube wine one de junho 2015. Parei de assinar o clube wine há alguns anos, porque entendi que os vinhos estavam vindo muito iguais, seguindo uma espécie de "padrão FIFA". Voltei agora com este plano mais básico e barato. Ambos os vinhos são elaborados com 100% tinta del país em Ribera del Duero e só diferem na passagem pelo carvalho: o joven não e o roble passa 3 meses. Vamos para o que interessa: ambos são palatáveis, corretos e valem os R$ 28,00. Muito bom para o dia-a-dia. Não acrescentam em nada nosso conhecimento enológico, mas não vão deixar ninguém irritado. Classificação: ***

Stupendo Pinot noir 2012

 


Vinho da LPG Wines, Vale dos Vinhedos. 12 meses de carvalho francês. Se propõe à ser um vinho tinto de luxo, mas não é. Com coloração mais escura e aromas mais "pesados", fica longe de ser pinot de verdade. Na boca, agrada mais, só que esqueçam que se trata de pinot noir. Não sei da composição exata deste vinho, mas é muito perceptível a presence de alguma(s) outra(s) casta(s). Está em promoção no site da vinícola por R$ 65,00. Não indico!
Classificação: **

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Yes, nós temos sauvignon blanc, ótimos!

Brasileiros e brasileiras, orgulhem-se de um novíssimo ótimo produto nacional: nossos varietais de sauvignon blanc são a grande sensação brazuca do momento. Estou falando dos ótimos exemplares da região de São Joaquim. De uma tacada só, mando quatro exemplos:
1- Quinta da neve sauvignon blanc: ao estilo chileno ou neo-zolandês, com aromas intensos de aspargos e boca com acidez crocante, bate muito importado mais caro. Em torno de 50 pirlas, é ótima compra.
2- Sanjo sauvignon blanc: bem parecido com o Quinta da neve, mas com menos intensidade. Vale os cinquentão.
3- Villaggio Bassetti sauvignon blanc: ao estilo francës, mais delicado e floral, não perdendo a acidez em boca. Para quem gosta de mais elegância, é justíssimo por aproximadamente 65 reais.
4- Villaggio Bassetti Donna Enny: sauvignon blanc barricado, diferente do usual e com resultado final que não vai gerar dúvidas, ame ou deixe-o! Eu amei! Muito estruturado, é denso, robusto e complexo, com estrutura de vinho tinto. Belo vinho e preço alto, mas vale: R$ 95,00.

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Vinhos de São Joaquim: passei por lá ! Qual a minha opinião?

Nessas férias de julho, passei uns dias em São Joaquim para conferir de perto o que estão fazendo por lá. Seguem minhas impressões:

1- A cidade de São Joaquim é horrível! Toda esburacada, com poucas opções de hospedagem e de lazer, por outro lado, deixou uma boa impressão na gastronomia, com bons restaurantes. Nem de longe, lembra Gramado ou Campos do Jordão, então só serve para ver neve (quando tem) ou para quem gosta de vinhos (como eu).

2- O setor vitivinícola está ainda engatinhando, mas já apresenta ótimos resultados e o enoturismo ainda é um embrião.

3- A Villa Franccioni é belíssima, mas já está dominada pelo apelo commercial, com visitação robotizada. Se parece muito, guardando as proporções, com Miolo e Concha & Toro. Mas, o passeio é obrigatório.

4- A Quinta da Neve tem um portifólio muito consistente.

5- A Villaggio Bassetti é uma pérola à ser descoberta.

6- A grande uva da região é a sauvignon blanc !

7- A região de São Joaquim tem os melhores rosés do país.

8- Alguns bons resultados com a chardonnay e bom potencial para riesling, gewürztraminer e pinot noir.

9- Uvas tintas ainda não decolaram, mas quando o processo visa o baixo rendimento, o produto final é muito bom.

10- A Casa dos vinhos, no centro da cidade é um deleite para enófilos.

Volto com postagens mais específicas.

Voltei !

Olá pessoal, que gostam ou não de mim. Após longo periodo com o blog parado, eu voltei! Parei em função de inúmeras tarefas à cumprir, excesso de trabalho (coisa de medico) e para uma auto-avaliação. Continuo trabalhando muito, mas confesso que senti saudades de escrever, colocar no papel o que penso, sendo bobagem ou não. Volto reciclado, com uma visão bem diferente da que tinha, sem querer ser o dono da razão e nem influenciar cabeças, pensantes ou não. Sem essa de querer dar notas aos vinhos, mas opinando se o liquido que se encontra naquela garrafa disse ao que veio. Rodei por muitas regiões vinícolas, conversei com muita gente boa e outras nem tanto. Volto mais experiente e dinâmico, com textos mais curtos e que vão direto ao assunto. Vamos parar com essa de explicar como nasceu a vinícola, blá, blá, blá... Também, não vamos perder tempo detalhando características organolépticas e tentando definir minúcias para explicar um vinho. Não tenho tempo para isso, prefiro gastar este tempo bebendo calmamente o vinho! Quem quiser embarcar nessa, que venha comigo!

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Vinícola Entre Vilas: vinho fino em São Bento do Sapucaí - SP, vinho de altitude da Serra da Mantiqueira.

Pois bem, já temos vinhos de locais inusitados como Vale do São Francisco, Minas Gerais e até Goiás. Para reforçar a lista dos diferentões, eis que surge uma vinícola situada em São Bento do Sapucaí, à 1600 m de altitude, próximo à Campos do Jordão. Para quem não conhece, São Bento é uma minúscula cidade do Vale do Paraíba, que se tem acesso por Campos do Jordão (sentido Pedra do Baú), Santo Antonio do Pinhal (acesso na subida da serra, antes de Campos) e por Itajubá - MG. A vinícola fica um pouco distante do centro de São Bento e o acesso passa por 5 Km de estrada de terra. O nome do local é Viveiro Frutopia e é comandado pelo Rodrigo Veraldi, engenheiro agrônomo formado pela USP - Botucatu. Oriundo de uma família de médicos, Rodrigo decidiu apostar em um projeto inovador. Em seu sítio, cultiva frutas vermelhas, oliveiras, castanheiras e videiras. Vende de tudo, desde mudas de plantas até azeite, vinhos e frutas. Das oliveiras, saem as azeitonas, as quais são processadas em Maria da Fé - MG, dando origem à um delicioso azeite extra-virgem, que é vendido em seu sítio. Parte das castanhas portuguesas, são dadas para alimentação de seus porcos, que são abatidos e vão fazer parte do cardápio de seu pequeno restaurante, que será inaugurado em breve e fica lá mesmo, no sítio. Sim, é um processo semelhante aos "Pata-negra", famosos porcos do sul da Espanha, comedores de bolota. Os vinhos são feitos alí mesmo, em uma minúscula vinícola e parte deles são envelhecidos em carvalho francês, que descançam em uma charmosa adega de pedras. As parreiras mais antigas já estão com 8 anos e crescem em colinas, no sistema espaldeira, com proteção de capas de plástico. Em pouco mais de meio hectare, Rodrigo apostou na cabernet sauvignon, malbec e cabernet franc, mas quem deu os melhores resultados foi a syrah. Parte dos vinhos são envelhecidos em carvalho e parte dos vinhos vão direto para a garrafa. Com uma produção minúscula, ainda está em fase experimental e os vinhos têm defeitos visíveis, como a alta acidez, a falta de maturidade e o baixo grau alcoólico. Mas, não pode-se negar a boa intenção de Rodrigo em realizar algo inovador. Seus vinhos não levam agrotóxicos, sulfitos e não passam por chaptalização, portanto são considerados vinhos naturais, ou seja, não têm máscara e traduzem exatamente o terroir, mostrando suas virtudes e defeitos. Rodrigo fez tudo certinho: sistema de condução espaldeira, plantação em colinas com boa drenagem e insolação, altitude, escolha de carvalho francês Allier, etc. Mas, depende muuuuuito das condições climáticas. Provei vinhos da safra 2013 e 2014 e apesar da safra 2014 estar muito jovem, é nítida a diferença de qualidade com a safra anterior. É claro, em regiões não qualificadas para plantação da vitis vinífera, a dependência das condições climáticas é muito maior. Conforme o próprio Rodrigo disse: "é fácil fazer vinho na Argentina e no Chile". Comprei alguns vinhos do Rodrigo e vou acompanhar a evolução em futuras visitas. Gostei muito de sua iniciativa e creio que em um futuro recente, poderemos ter um novo terroir com vinhos de qualidade no interior de São Paulo. Os preços dos vinhos não são proibitivos, mas estão numa faixa de valor acima da qualidade que têm, mas o esforço e a dedicação do Rodrigo fazem o entendimento dos valores, que se situam na faixa dos R$ 60,00 aos R$ 90,00, sendo que seu Pinot noir, "extraordinário, lembrando um borgonha", segundo o próprio Rodrigo, custa a bagatela de R$ 110,00 e já se esgotou, sendo que eu fui o comprador da última garrafa. Se é bom mesmo, vou descobrir quando abrir a garrafa. Quem estiver passeando em Campos do Jordão, vale a pena visitar o Rodrigo e seu Viveiro Frutopia, onde poderá almoçar em seu restaurante e desfrutar seus interessantes vinhos, ainda com defeitos, mas com bastante personalidade e ousadia. Fica à apenas 40 minutos de Campos do Jordão. Boa sorte, Rodrigo!

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Amayna sauvignon blanc barrel fermentad 2009: totalmente fora do óbvio!

Já esgotado dos ótimos, mas previsíveis sauvignon blanc marítimos do Chile, que são fundamentais para entradas à base de frutos do mar e ceviches, assim como companheiros perfeitos para queijo de cabra maturado, resolvi tentar algo um pouco diferente, um sauvignon blanc do fresquíssimo Vale do Leyda, porém envelhecido em barricas de carvalho francês por 13 meses. Sim, foi exatamente este inusitado que colocou o vinho num patamar acima dos demais. Agora, esqueça o frescor e a acidez pungente dos novíssimos sauvignon blanc e se prepare para um vinho muito mais estruturado e preparado para enfrentar pratos quentes de pescado. Com coloração amarelo quase ouro e bolinhas de um pequeno perlage, o vinho fala pouco ao nariz, mas na boca mostra incrível textura e maciez, quase de vinho tinto. Este bom corpo lhe garante vida, mesmo após 4 anos de collheita. Um belíssimo vinho, fundamental para os amantes da gastronomia. É um pouco caro, passando dos R$ 100,00 e tem um grande concorrente em seu país, o também ótimo Calyptra sauvignon blanc, mais barato. Vale a investida, principalmente se você encontrar este vinho em free-shop, onde custa menos da metade do preço aqui apresentado.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Acústic Montsant 2007: é gelada !!!

Comprei este vinho em uma promoção de dólar mais baixo, na Vinci. Achei que tinha feito um grande negócio, visto a boa fama deste vinho, mas ao degustá-lo, percebí que fui vítima de mais uma armadilha marketeira. Não, não estou dizendo que o vinho é ruím, só estou dizendo que não vale os absurdos R$ 120,00 cobrados pela Vinci. Isso mesmo que você leu: R$ 120,00 !!! O vinho é o protótipo dos vinhos comercializados recentemente pela Wine: padrão FIFA, ou seja, tudo politicamente correto e igual, uma mesmiçe que causa pesadelos na cabeça do amante de vinhos. Neste vinho, tudo está correto: a coloração límpida, os taninos, a acidez, a maciez, etc. Mas, cadê aquele toque rebuscado, cadê aquela excentricidade, cadê aquele diferente que deveria estar presente em um vinho nesta faixa de preço? Ora bolas, por um vinho politicamente correto, vá de wine.com.br, a qual eu não suporto pagar R$ 50,00 paus! Imagina R$ 120,00! Conheço vinhos no mercado que têm igual ou melhor qualidade por menos da metade do preço. Mato a cobra e mostro o pau: Carlos Serres Rioja Crianza, um vinho ainda mais macio e mais envolvente. Não seja troxa como eu fui, é gelada!