O mundo em uma taças

Dê-me uma taça com um pouco de vinho, que


viajarei pelo mundo através de seus goles.






segunda-feira, 5 de maio de 2014

Vinícola Entre Vilas: vinho fino em São Bento do Sapucaí - SP, vinho de altitude da Serra da Mantiqueira.

Pois bem, já temos vinhos de locais inusitados como Vale do São Francisco, Minas Gerais e até Goiás. Para reforçar a lista dos diferentões, eis que surge uma vinícola situada em São Bento do Sapucaí, à 1600 m de altitude, próximo à Campos do Jordão. Para quem não conhece, São Bento é uma minúscula cidade do Vale do Paraíba, que se tem acesso por Campos do Jordão (sentido Pedra do Baú), Santo Antonio do Pinhal (acesso na subida da serra, antes de Campos) e por Itajubá - MG. A vinícola fica um pouco distante do centro de São Bento e o acesso passa por 5 Km de estrada de terra. O nome do local é Viveiro Frutopia e é comandado pelo Rodrigo Veraldi, engenheiro agrônomo formado pela USP - Botucatu. Oriundo de uma família de médicos, Rodrigo decidiu apostar em um projeto inovador. Em seu sítio, cultiva frutas vermelhas, oliveiras, castanheiras e videiras. Vende de tudo, desde mudas de plantas até azeite, vinhos e frutas. Das oliveiras, saem as azeitonas, as quais são processadas em Maria da Fé - MG, dando origem à um delicioso azeite extra-virgem, que é vendido em seu sítio. Parte das castanhas portuguesas, são dadas para alimentação de seus porcos, que são abatidos e vão fazer parte do cardápio de seu pequeno restaurante, que será inaugurado em breve e fica lá mesmo, no sítio. Sim, é um processo semelhante aos "Pata-negra", famosos porcos do sul da Espanha, comedores de bolota. Os vinhos são feitos alí mesmo, em uma minúscula vinícola e parte deles são envelhecidos em carvalho francês, que descançam em uma charmosa adega de pedras. As parreiras mais antigas já estão com 8 anos e crescem em colinas, no sistema espaldeira, com proteção de capas de plástico. Em pouco mais de meio hectare, Rodrigo apostou na cabernet sauvignon, malbec e cabernet franc, mas quem deu os melhores resultados foi a syrah. Parte dos vinhos são envelhecidos em carvalho e parte dos vinhos vão direto para a garrafa. Com uma produção minúscula, ainda está em fase experimental e os vinhos têm defeitos visíveis, como a alta acidez, a falta de maturidade e o baixo grau alcoólico. Mas, não pode-se negar a boa intenção de Rodrigo em realizar algo inovador. Seus vinhos não levam agrotóxicos, sulfitos e não passam por chaptalização, portanto são considerados vinhos naturais, ou seja, não têm máscara e traduzem exatamente o terroir, mostrando suas virtudes e defeitos. Rodrigo fez tudo certinho: sistema de condução espaldeira, plantação em colinas com boa drenagem e insolação, altitude, escolha de carvalho francês Allier, etc. Mas, depende muuuuuito das condições climáticas. Provei vinhos da safra 2013 e 2014 e apesar da safra 2014 estar muito jovem, é nítida a diferença de qualidade com a safra anterior. É claro, em regiões não qualificadas para plantação da vitis vinífera, a dependência das condições climáticas é muito maior. Conforme o próprio Rodrigo disse: "é fácil fazer vinho na Argentina e no Chile". Comprei alguns vinhos do Rodrigo e vou acompanhar a evolução em futuras visitas. Gostei muito de sua iniciativa e creio que em um futuro recente, poderemos ter um novo terroir com vinhos de qualidade no interior de São Paulo. Os preços dos vinhos não são proibitivos, mas estão numa faixa de valor acima da qualidade que têm, mas o esforço e a dedicação do Rodrigo fazem o entendimento dos valores, que se situam na faixa dos R$ 60,00 aos R$ 90,00, sendo que seu Pinot noir, "extraordinário, lembrando um borgonha", segundo o próprio Rodrigo, custa a bagatela de R$ 110,00 e já se esgotou, sendo que eu fui o comprador da última garrafa. Se é bom mesmo, vou descobrir quando abrir a garrafa. Quem estiver passeando em Campos do Jordão, vale a pena visitar o Rodrigo e seu Viveiro Frutopia, onde poderá almoçar em seu restaurante e desfrutar seus interessantes vinhos, ainda com defeitos, mas com bastante personalidade e ousadia. Fica à apenas 40 minutos de Campos do Jordão. Boa sorte, Rodrigo!

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Amayna sauvignon blanc barrel fermentad 2009: totalmente fora do óbvio!

Já esgotado dos ótimos, mas previsíveis sauvignon blanc marítimos do Chile, que são fundamentais para entradas à base de frutos do mar e ceviches, assim como companheiros perfeitos para queijo de cabra maturado, resolvi tentar algo um pouco diferente, um sauvignon blanc do fresquíssimo Vale do Leyda, porém envelhecido em barricas de carvalho francês por 13 meses. Sim, foi exatamente este inusitado que colocou o vinho num patamar acima dos demais. Agora, esqueça o frescor e a acidez pungente dos novíssimos sauvignon blanc e se prepare para um vinho muito mais estruturado e preparado para enfrentar pratos quentes de pescado. Com coloração amarelo quase ouro e bolinhas de um pequeno perlage, o vinho fala pouco ao nariz, mas na boca mostra incrível textura e maciez, quase de vinho tinto. Este bom corpo lhe garante vida, mesmo após 4 anos de collheita. Um belíssimo vinho, fundamental para os amantes da gastronomia. É um pouco caro, passando dos R$ 100,00 e tem um grande concorrente em seu país, o também ótimo Calyptra sauvignon blanc, mais barato. Vale a investida, principalmente se você encontrar este vinho em free-shop, onde custa menos da metade do preço aqui apresentado.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Acústic Montsant 2007: é gelada !!!

Comprei este vinho em uma promoção de dólar mais baixo, na Vinci. Achei que tinha feito um grande negócio, visto a boa fama deste vinho, mas ao degustá-lo, percebí que fui vítima de mais uma armadilha marketeira. Não, não estou dizendo que o vinho é ruím, só estou dizendo que não vale os absurdos R$ 120,00 cobrados pela Vinci. Isso mesmo que você leu: R$ 120,00 !!! O vinho é o protótipo dos vinhos comercializados recentemente pela Wine: padrão FIFA, ou seja, tudo politicamente correto e igual, uma mesmiçe que causa pesadelos na cabeça do amante de vinhos. Neste vinho, tudo está correto: a coloração límpida, os taninos, a acidez, a maciez, etc. Mas, cadê aquele toque rebuscado, cadê aquela excentricidade, cadê aquele diferente que deveria estar presente em um vinho nesta faixa de preço? Ora bolas, por um vinho politicamente correto, vá de wine.com.br, a qual eu não suporto pagar R$ 50,00 paus! Imagina R$ 120,00! Conheço vinhos no mercado que têm igual ou melhor qualidade por menos da metade do preço. Mato a cobra e mostro o pau: Carlos Serres Rioja Crianza, um vinho ainda mais macio e mais envolvente. Não seja troxa como eu fui, é gelada!

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Prestem atenção neste blog: Bacco & Bocca !

Existem blogs que nada acrescentam, outros que só querem ganhar dinheiro, outros ainda que só falam bobagem e os piores, aqueles que se vendem por meia dúzia de garrafas. Existem aqueles politicamente corretos, os amiguinhos dos produtores, os qu evitam falar mau dos vinhos porquê não "querem perder tempo com vinhos ruíns" e os leigo blogs. Mas, neste universo de mediocridade, há um blog que, apesar de pegar pesado em alguns momentos, nos confere um enorme serviço de esclarecimento da idiotice adotada por inúmeros brasileiros sobre aquilo que temos de mais valioso, o nosso produto interno! Vejam bem, sou declaradamente simpatizante não só dos vinhos, mas dos produtos brasileiros, visto que já conseguimos produzir nuita coisa boa em nosso país. O problema, é que tem uma turma que anda exagerando nos preços destes produtos e lucrando demasiadamente. É simples, enquanto tiver idiota, vai existir esperto! Os nossos vinhos tranquilos melhoraram muito e têm boa qualidade, mas o preço tem que cair muito para deixá-los em um patamar convincente. O grande problema é que nossos ícones são vendidos à preço de ouro e não têm comparação com os grandes ícones mundiais, que custam quase a mesma coisa nos seus países de origem. Entrem neste blog Bacco & Bocca e passeiem um instante por lá. Não esqueçam de terem um lenço ao ldo, para limparem as lágrimas, se você já pagou caro por certos produtos. Bye!

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Robert Mondavi Woodbridge cabernet sauvignon 2011

Taí um Robert Mondavi mais barato e acessível. Um corte de 76% Cabernet Sauvignon, 13% Syrah, 5% Petite Sirah, 2% Petit Verdot, 1% Merlot e 3% outras variedades com uvas da Califórnia. Rubi com reflexos violáceos, aromas de frutas vermelhas com algo de especiaria, boca com boa sedosidade, frutado intenso, persistência média, taninos redondos. Com poucas harestas, é mais um vinho correto e fácil de beber. A novidade é que este vem dos Estados Unidos, tido até então como terra de vinhos caros, mesmo os mais básicos. Seu preço médio é de R$ 40,00, mas o comprei por R$ 26,00, preço que considero o ideal, apesar que temos vinhos mais baratos neste nível de qualidade. Vale pela curiosidade, mas não o tracaria pelo Casillero syrah ou malbec.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Chile parte VI: Viña Concha Y Toro, programão de turistão, mas legalzão!


É lotado, é uma muvuca de turista que não entende nada de vinho, é longe (aproximadamente 27 estações de metrô + ônibus urbano), mas é legal! O lugar é muito bonito, tem guia em português (algo raro) e a criançada curte muito! O tour básico custa aproximadamente R$ 40,00 e dura 1 hora, com visita à frente da antiga mansão do Marquês Concha Y Toro, passeio pelo jardim de variedades, visita às adegas subterrâneas e um pequeno show pirotécnico da lenda do Diablo. Termina com degustação do Trio sauvignon blanc e do Casillero reserva privada. No final, ganha-se a taça de brinde. Menores de 18 anos não pagam (óbvio!). Ao final, sente-se no Wine bar e deguste algumas taças de vinho com petiscos ou refeições. Bom ambiente e atendimento razoável com preços sem estourar os bolsos. Pode-se experimentar de tudo o que Concha y Toro produz de melhor, incluíndo Almaviva, Terrunyo e Don Melchor. O estrelato fica por conta da degustação de safras antigas do Don Melchor. Degustei o Epu, por cerca de R$ 20,00 a taça com 120 ml. Programa certo, sem erro!

Pionero Cabernet sauvignon 2011: Campeão do custo-benefício!


Figurinha carimbada dos enoblogs, nenhuma novidade para a grande maioria dos leitores, mas impressindível no dia-a-dia. Coloração violáceo-claro, com boa transparência, aromas de frutas vermelhas, leve cassis e um toque mentolado. Boca com taninos redondos, boa maciez, final médio e uma acidez muito gostosa. Um vinho simples, mas muito correto e bem gostoso, protótipo para o dia-a-dia, por apenas R$ 17,00 (Spani Atacadista), o que o faz um campeão de custo-benefício, o colocando na minha seleta lista de fenômenos do vinho, ao lado do Quinta de Cabriz tinto (R$ 23,00) e do Porta da Revessa Tinto (R$ 18,00). Nada mais à falar!

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Descomplicando o vinho: existem 3 tipos de vinho!


Tá, tudo bem, o mais eclético irá dizer: "Você está delirando, vinho é muito mais complexo do que isto!" Sim, com certeza! Mas, o que eu gostaria é que tudo fosse mais simples e foi na procura dessa simplicidade, que depois de 7 anos bebendo e estudando vinhos que cheguei à esta conclusão: existem 3 tipos de vinho! Vou explicar:
Vinho Tipo 1: Vinhos simples, com pouca complexidade, mas gostosos de beber e sem maiores defeitos. Previsíveis, mas corretos. Obedecem à uma certa tendência mundial de qualidade, sugerindo uma certa globalização do vinho ou em um termo mais cômico, seguem o "padrão FIFA". São vinhos para o dia-a-dia e na minha opinião, não devem custar mais que R$ 40,00, sendo que o ideal é que custem menos que R$ 30,00. Acreditem, eles existem!
Vinho Tipo II: Vinhos mais complexos, que fazem pensar e geram questionamentos e análises, além de incentivar a boa conversa entre os enófilos. Quando bem harmonizados, transformam completamente as refeições e geram momentos de alegria. São vinhos perfeitos para jantar de fim de semana, almoço de domingo ou reunião com amigos (que entendem de vinho). Se encontram em um patamar superior e custam mais que R$ 40,00, não devendo custar mais que R$ 110,00. Cuidado, que existem muitas armadilhas nesta faixa.
Vinho Tipo III: Vinhos com enorme complexidade, que encantam, arrancam suspiros e até lágrimas. Vinhos que evocam a infância ou nos fazem sentir parte dela. Vinhos que fazem você esquecer dos problemas do dia-a-dia e que fazem até você se sentir mais importante. Vinhos que te levam ao nirvana. Uma experiência tântrica! São os grande ícones, os top da cada vinícola. Sào os vinhos que simbolizam o potencial da vinícola e traduzem a arte do enólogo. Não têm preço!
Viram, simples assim!

Chile parte V: Viña Indómita. Surpreendeu positivamente !

É uma das vinícolas mais conhecidas do público brasileiro, até por sua imponente fachada bem às margens da estrada que liga Santiago à Viña del Mar, mas sempre foi rasgada como sendo uma vinícola de enorme apelo comercial. Desta vez, fui tirar a prova e gostei do que ví. A vinícola é muito bem distribuída, limpa e acessível. O restaurante é ótimo, tem boa comida (não tão boa como Casas del Bosque), bom atendimento e a melhor vista da região. E o que me amendrontava, o vinho surprrendeu positivamente. Bebi um Duette Chardonnay 2012, que foi o melhor vinho branco que eu bebi no Chile nesta última passagem. O restaurante está na faixa de preço dos demais e o vinho também. Gostei e recomendo!

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Chile parte IV: Restaurante da Vinícola Casas del Bosque, vale muito a pena!


Já comentei aqui que está muito caro comer no Chile, mas existem exceções à esta regra, não pelo custo baixo, mas pelo conjunto da obra. O restaurante da vinícola Casa del Bosque é o melhor exemplo do que acabei de escrever. Localizado dentro da vinícola, no meio das parreiras do município de Casablanca, o restaurante é bonito, aconchegante, amplo, pouco movimentado e tem ótimo atendimento. Os pratos seguem a média dos outros restaurantes em Santiago, custando entre R$ 40,00 e R$ 55,00, mas tem o melhor padrão de qualidade encontrado por lá, além de fugirem da mesmiçe e não fazerem parte da cozinha minimalista, que deixa o cliente com fome após a refeição. Resumindo, uma refeição para um casal, constando de dois pratos principais mais um vinho Gran reserva (em torno de R$ 50,00), fica em torno de R$ 170,00, já incluso a propina. Dispense as entradas, porquê o couvert (gratuito) já basta, assim como o boa quantidade de comida dos pratos de fundo. Se você for adepto de sobremesas, o custo irá aumentar um pouco. Achei o conjunto muito bom e indico sem medo de errar.

Neyen Espíritu de Apalta 2009

Degustei este vinho na vinícola Veramonte, que recentemente comprou esta marca e fiquei encantado. Comprei três garrafas ao custo de R$ 125,00 cada uma e posso dizer que vale cada centavo. Um corte de carmenére (predominante) e cabernet sauvignon com 18 meses de amadurecimento em carvalho francês, elaborado à partir de velhas parreiras do vale do Colchagua, algumas com 80 anos (SIC). Pessoal, esqueçam aquele conceito de carmenére achocolatado e potente, esqueçam também aquele mentolado típico chileno, este vinho é muito mais do que o óbvio. Com muita potência, taninos redondíssimos, fruta exuberante, este vinho traz uma elegância raramente encontrada em vinhos do Novo Mundo. A boa acidez não deixa o vinho ser cansativo e o final longo e persistente clamam pelo próximo gole. Mas, o que mais encanta neste vinho é o seu nariz: mais do que a fruta vermelha madura, mais do que a madeira muito bem integrada, o que chama atenção é o incrível bouquet de flores escuras que incendeiam o nariz, é literalmente como se estivesse cheirando umas dezenas de violetas, alfazemas, lavandas, etc. Um vinho extremamente equilibrado e delicioso até o último gole. Gosto é gosto e este vinho caiu ni meu gosto e digo, sem medo de cometer heresia, este vinho é do nível do Almaviva, o qual já experimentei duas vezes e não me arrancou suspiros como fez este vinho. Nota: 95 pontos.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Chile parte III: Está caro comer no Chile!

Pois é, amigos! Não é suposição, é fato! Em qualquer restaurante um pouco melhor que se entra, não se paga menos que R$ 45,00 um prato e não espere grande quntidade de comida, mas também não chega à ser minimalesca. Entrei em alguns bons restaurantes, outros de porte médio e uma ou duas bibocas e não constatei nada barato no antigo paraíso da boa e barata comida. Posso recomendar com absoluta certeza de que agradará à todos o restaurante da vinícola Casas del Bosque, em Casablanca e com alguma desconfiança, o restaurante da Viña Indómita, também em Casablanca. Já na capital Santiago, se prepare para colocar a mão no bolso, principalmente se você viajar com filhos, já que no Chile não há aquela opção de pratos para duas pessoas. Então, um almoço ou janatr com vinho envolvendo dois adultos e duas crianças, com uma garrafa de vinho, uma água e dois sucos, sem contar a sobremesa irá custar aproximadamente R$ 270,00 !!!! Se compararmos com São Paulo, não extranharemos o valor, mas se compararmos com churrascarias em que se come à vontade e cidades do interior onde se come muito mais barato, chegaremos à uma dúvida: será que O Brasil está tão bem assim, à ponto de todos (digo: TODOS) oe brasileiros que lá encontrei reclamarem dos preços. É Dilma, estamos bem demais, estamos de vento em polpa, somos a mais nova potência econômica do mundo, etc. Ridículo, experimente beber uma água em Santiago por R$ 7,00, um suco por R$11,00 ou uma empanada por R$ 12,00! De barato, só o vinho e na vinícola, porquê nos restaurantes, um vinho de supermercado que custa 7000,00 pesos é vendido à 15.000,00 pesos. Aff...

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Chile parte II: Vale à pena trazer vinhos do Chile?


Se esta pergunta fosse feita há 5 anos, a resposta seria obviamente sim! Mas, com o aumento do dólar (maravilha, né Dilma?), as dificuldades cada vez maiores em se trazer vinhos pelos aeroportos e a evidente inflação que ocorreu no Chile nos últimos anos (está tudo muito mais caro, em pesos), criam dúvidas sobre qual seria a resposta. Então, minha resposta é... depende! Se for vinho simples, cuja diferença de preço seja de poucos reais, não vale à pena. Os grandes ícones, pásmem, estão com preço igual ou mais caros que no Brasil. Então, uma boa opção seria a procura por vinhos de porte médio ou raridades. Vou exemplificar: o Medalla Real Cabernet sauvignon da Santa Rita custa no Brasil absurdos R$ 80,00, enquando que no Chile, se paga míseros R$ 17,00 !!! O Carmen reserva Cabernet sauvignon custa no Brasil cerca de R$ 60,00, enquanto que no Chile, se paga cerca de R$ 27,00. Encontramos no Chile o Casa Real Cabernet sauvignon Santa Rita, que não é o mesmo ícone que é vendido aqui por R$ 380,00 e sim, um produto para o mercado interno chileno, um cabernet protótipo do Maipo, uma delícia por cerca de R$ 50,00. Novidades como Bodegas RE e vinhos de autor como I latina (cerca de R$ 50,00) e Flaherty(cerca de R$ 50,00) também são bem vindos e custam bem mais baratos no Chile. Fique atento à pomoções; comprei 3 garrafas de Neyen espírito de Apalta, por R$ 120,00 cada uma, pechincha se levado em conta à excepcional qualidade do vinho e seu preço no Brasil: R$ 260,00. Use sempre a razão e vá sabendo o quanto custa o vinho no Brasil, para ter parâmetro de comparação. Espero que ajude à todos!

Chile parte I: Bodegas RE. A nova ousadia de Pablo Morandé.

Estive no Chile (novamente) por 10 dias e trago boas novidades. A melhor delas foi a descoberta da Bodegas RE, de propriedade de Pablo Morandé, o qual não é mais proprietário da Viña Morandé. Inclusive, seu emblemático restaurante House of Morandé, em Casablanca, mudou de nome e não leva mais o Morandé em sua faixada. Mas, Pablito realmente é ousado. Depois de ser o primeiro grande enólogo da Concha Y Toro, o grande descobridor do Vale de Casablanca e idealizador do Vigno (clube de vinho dos produtores de Carignan, no Vale do Maule), agora ataca com um projeto inovador, a Bodegas RE (REiniciar, REinventar). Trata-se de uma Bodega de pequena produção, com base em vinhos únicos, mesclas originais e maturação em tinajas de barro ou tanque de concreto (uma volta às antigas). Provei dois vinhos:
Chardonnoir 2011: um assemblage branco de chardonnay com Pinot noir, muito comum em espumantes, mas original para um vinho branco. Coloração para lá de original (pêssego), mas com aromas discretos e boca um pouco desbalanceada. Não gostei muito, mas valeu pela curiosidade. OBS.: este vinho recebeu 94 pontos do Descorchados. Preço do vinho na bodega: aproximadamente R$ 94,00.
Cabergnan 2008: um corte de cabernet sauvignon e carignan que capta muito bem as qualidades das duas cepas. Dois anos de amadurecimento em barricas riojanas e dois anos de envelhecimento em garrafa. Fresco, complexo, nervoso, amável. Um belo vinho. Guarda de mais de 10 anos. Aproximadamente R$ 94,00.
A degustação de duas boas taças dessas raridades custou aproximadamente R$ 40,00. A Bodegas RE é de fácil localização, ficando próximo à entrada principal da cidade de Casablanca, à aproximadamente 1 Km da estrada, antes da vinícola Loma Larga.

terça-feira, 9 de julho de 2013

Atemporal Blend 2008

Após longo período de ausência por motivos particulares, estou de volta e pretendo não me estender nas postagens, as quais serão curtas e diretas. Este é um corte de Malbec, Syrah, Cabernet sauvignon e Petit verdot, do Vale do Uco (Argentina), com 12 meses de carvalho francês. É um vinho muito bem comentado nos enoblogs, mas eu não gostei! Vermelho púrpura bem denso e quase impenetrável, com manchas poderosas na taça. Visual legalzinho, mas perde-se no nariz, onde mostra apenas frutas negras mais para compotas e algo de especiarias, sendo que a madeira até está comportada. Na boca, o vinho mostra seus 15,5% de álcool, um exagero não conveniente para um vinho tinto seco que não seja um amarone. Até que é macio e um pouco aveludado, mas o vinho é  muito pesado e cansativo. Só recomendo a compra, independente do preço, para aficionados por vinhos argentinos. Está fora da minha lista.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Casa Valduga Assemblage 1998. É isso mesmo o quê vocês leram: 1998 !!!

Quem é vivo sempre aparece e eis que estou aqui, após longo período de ausência. Mas, o que me traria de volta às postagens? Foi este vinho aí: Casa Valduga Assemblage 1998. Vou explicar rapidamente: frequento uma pizzaria de um amigo meu em Aparecida, cidade ao lado de Guaratinguetá. O dono da pizzaria gosta de vinhos, mas não esquenta muito a cabeça para a conservação dos mesmos e como a maioria da clientela advém de um público não muito acostumado com vinhos finos, é comum encontrarmos algumas garrafas literalmente perdidas e esquecidas pela pizzaria. Encontrei esta garrafa e não resisti a tentação: comprei por 40 paus! Se o vinho tivesse oxidado, valeu a curiosidade e se tivesse bom, ahhhh... Pois, para minha surpresa, apesar das inadequadas condições de guarda, o vinho estava vivo! Ao colocar na taça, que bela visão: um vermelho granada, com bordos intensamente alaranjados e reflexos atijolados, marcando uma incrível evolução. Aromas de média complexidade, já voltados para a evolução como os toques balsâmicos e madeira de cedro, mas ainda presente as frutas vermelhas maduras, o cassis e nuances apimentadas. Na boca, a maoir das surpresas: uma acidez vivíssima, que contrasta com os taninos totalmente aveludados e um final de boca interminável. O vinho é um corte de cabernet sauvignon, merlot e cabernet franc e estagiou em barricas por 1 ano (não tenho certeza). Uma jóia, uma prova incontestável da longevidade do vinho nacional, um vinho único, uma experiência neurosensorial enológica de tirar o fôlego. Claro, o fato do vinho ser nacional e a forma como foi guardado e descoberto contribuíram para a minha empolgação. Mas, é disso que vivem os apaixonados por vinho, como eu. É esta procura infinita pelo diferente e pelo ousado que motiva a persistência em permanecer um enófilo de carteirinha. Parabéns Casa Valduga! Não tenho fotos e não tirei fotos, tudo o que tenho é a minha palavra. Até a próxima!

terça-feira, 2 de abril de 2013

Espumante Ferrari Perlé brut 2005. Justifica a fama? Vale o quanto custa?

Tenho andado meio sumido, com poucas postagens, mas isto não significa que tenho bebido e experimentado menos vinhos. Somente ando sem tempo e sem muita empolgação para escrever, mas gosto de usar meu blog para comentários pessoais e o estou fazendo em situações especiais. Neste fim de semana de páscoa, abri uma garrafa que estava guardada à um certo tempo em minha adega e gerava muita expectativa, pois se tartava de um espumante Ferrari Perlé brut 2005, da DOC Trento, na Itália. Vinho afamado e caro! Elaborado com 100% chardonnay, pelo método tradicional, passa 70 meses sobre as leveduras. Chega de delongas, vamos ao vinho: bela formação de espuma na taça, perlage intenso, mas não muito duradouro, linda coloração amarelo-ouro, muito brilhante. Aromas com boa complexidade, remetendo à mel, brioches, fermento, frutas tropicais. Bom volume em boca e cremosidade agradável. Me pareceu um pouco doce, acima da média, mas não enjoativo. Sim, é um bom espumante, mas também pudera, custando mais de R$ 200,00 é obrigação ser bom! Não quero ser insistente e nem estou ganhando nada para dizer isto, mas por este preço dá para comprar dois graaandes espumantes nacionais! Se você for mais modesto, dá para comprar três, digo TRÊS ótimos espumantes nacionais que nada devem à este bom espumante italiano. Não quero chover no molhado, mas não seja idiota, dê uma chance aos brazucas!

sexta-feira, 15 de março de 2013

Chega de mesmiçe, dê uma chance aos vinhos nacionais!

Caros leitores, um dia já fui muito contrário aos vinhos nacionais, mas hoje carrego a humildade de aceitar que nossos vinhos brasileiros melhoraram muito e concorrem em igualdade de condições em várias linhas com os vinhos importados. É óbvio que não sou hipócrita de querer comparar nossos ícones com os ícones internacionais, nesse quesito ainda estamos engatinhando, mas em outros seguimentos estamos muito bem. Antes que alguém caia na bobagem de dizer que estou defendendo a indústria vinícola nacional para proveito próprio, peço à estes infames que não leiam este post, muito obrigado! Vamos à alguns exemplos:
1) Para quê comprar espumante estrangeiro, se o nosso é sabidamente um produto de grande qualidade e o melhor custo-benefício do mundo! Além disso, temos uma variedade enorme de estilos, cores e terroir que deixam nossos vizinhos hemanos morrendo de inveja. Ora, se for para gastar com espumante estrangeiro, então compre um bom champagne, o quê custará não menos que R$ 200,00.
2) Quer vinho tranquilo e baratinho para beber aos montes na beira da piscina, gastando menos de R$ 15,00? Então, vá de moscato, moscato giallo ou riesling itálico da Serra gaúcha, ao invés de péssimos brancos amargos e com acidez descontolada do Novo mundo ou então aqueles simplérrimos e inexpressivos Soaves italianos por R$ 40,00! Obs.: Excessão seja feita aos originais e interessantes Vinhos Verdes portugueses.
3) Vinho branco bom e barato no Brasil? Exemplos: Chardonnay Venturini por R$ 29,00, Gewurstraminer Angheben por R$ 35,00, Dádivas Chardonnay Lídio Carraro por R$ 42,00, Gewurstraminer Valduga por R$ 29,00, Peverella Salvati por R$ 26,00, etc. Eu não entendo o idiota que compra um chardonnay argentino por R$ 30,00 ou um branco italiano por R$ 40,00. Neste caso, vamos nos render aos ótimos sauvignon blanc da Costa marítima do Chile e aos maravilhosos brancos da Borgonha e Jura na França, mas o bolso pode não dar conta.
4) Tinto tranquilo e com apelo comercial? Então vá de Merlot da Serra gaúcha, existem vários, experimentem o Venturini Merlot reserva (R$ 29,00). Tinto para churrasco? Tannat da Campanha gaúcha ou da Serra Gaúcha, entre eles o Vallontano por menos de R$ 40,00. Cabernet sauvignon? Rastros do Pampa por R$ 45,00, Marco Luigi reserva de família por R$ 65,00, Gran Báculo por R$ 50,00. 
5) Querem vinhos diferentes? Pizzato Alicante Bouschet, Valduga Arinarnoa, Barcarolla Lagrein, Angheben Teroldego. O quê vocês acham do Dall'Agnol com dupla maturação?  Todos este vinhos por menos de R$ 50,00!!!
6) Vinhos de garagem? Vilmar Bettú é o cara! Quinta da Figueira começa à fazer história!
7) Vinhos biodinâmicos no Brasil? Sim, Santa Augusta de Santa Catarina.
8) E vinhos de altitude: Villagio Grando, Serra Catarinense.
9) Para chutar o balde: em quantos países do mundo se tem um ice-wine? Aqui temos o Pericó!
Galera, isto é só um breve relato, então não tenham medo, experimentem nossos vinhos, garanto que não se arrependerão e mudaram gradativamente sua forma de pensar. Até mais!

quarta-feira, 6 de março de 2013

Dilma, o Hugo Chávez é amigo seu, não nosso!

Ando sem tempo e entusiasmo para escrever, mas desta vez não resistí. Entre as várias bobagens que Dilma andou falando, relembre o comentário que ela fez direto da Rússia, em que a própria disse que era um absurdo as calúnias que estavam falando do "nosso presidente Lula", espera aí: presidente Lula???, quem é mesmo o presidente atual do Brasil ? Agora, Dilma solta mais uma pérola: "O Hugo Chávez é amigo do Brasil". Calma aí, senhora Dilma! Ele pode ser seu amigo, não nosso! Quem te deu o direito de falar esta bobagem? Não quero e nunca quis ser amigo de um ditador de caráter questionável. Já que temos que te aturar no cargo de presidenta virtual (o presidente real é o Lula, conforme você mesmo afirmou),faça o nobre favor de falar menos, porquê você calada é uma poetisa! Quem sabe, não estaremos vivendo o início de uma nova era: o fim do Chavismo e do populismo e o início de uma real democracia. Não lamento a morte de Chávez, lamento apenas que ele não tenha tido tempo de se recuperar, para sanar suas condutas equivocadas durante sua vida. Que o Lula aprenda com isso e venha a colocar a mão na consciência e deixar o Brasil livre para o governo de pessoas competentes e respeitosas. Vocês lembram do que disse o Lula quando assumiu a presidência da República: "Ao final do meu governo, nenhum brasileiro estará passando fome, assim terei cumprido meu dever". Aff, acho que vou vomitar...

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Schlossmühlenhof Müller Thurgau Trocken 2011

         
 
Aí, aí, aí... Tão difícil como pronunciar o nome deste vinho é aceitar que a compra foi boa. O vinho não é ruím, mas está longe de ser cativante. Elaborado com uvas Muller Thurgau em Rheinhessen  na Alemanha, mostra uma bela coloração amarelo bem clarinho e com uma linda limpidez. Os aromas são agradáveis, remetendo à maçãs maduras e pêssegos amarelos, com boa mineralidade. Na boca, é um pouco doçinho e bem leve, mas deve na acidez e no frescor. Não faz feio, mas me deu dor no peito de saber que por este preço, teria abocanhado algo bem melhor. Poie é, vida de enófilo é assim. Aliás, pessoal do Sonoma, parem de poetizar sobre vinhos medianos e guardem a saliva, ou seja, a escrita para vinhos realmente mereçedores de poesias. Nota: 86 pontos. Preço: R$ 59,00. Avaliação custo-benfício **.