O mundo em uma taças

Dê-me uma taça com um pouco de vinho, que


viajarei pelo mundo através de seus goles.






segunda-feira, 5 de maio de 2014

Vinícola Entre Vilas: vinho fino em São Bento do Sapucaí - SP, vinho de altitude da Serra da Mantiqueira.

Pois bem, já temos vinhos de locais inusitados como Vale do São Francisco, Minas Gerais e até Goiás. Para reforçar a lista dos diferentões, eis que surge uma vinícola situada em São Bento do Sapucaí, à 1600 m de altitude, próximo à Campos do Jordão. Para quem não conhece, São Bento é uma minúscula cidade do Vale do Paraíba, que se tem acesso por Campos do Jordão (sentido Pedra do Baú), Santo Antonio do Pinhal (acesso na subida da serra, antes de Campos) e por Itajubá - MG. A vinícola fica um pouco distante do centro de São Bento e o acesso passa por 5 Km de estrada de terra. O nome do local é Viveiro Frutopia e é comandado pelo Rodrigo Veraldi, engenheiro agrônomo formado pela USP - Botucatu. Oriundo de uma família de médicos, Rodrigo decidiu apostar em um projeto inovador. Em seu sítio, cultiva frutas vermelhas, oliveiras, castanheiras e videiras. Vende de tudo, desde mudas de plantas até azeite, vinhos e frutas. Das oliveiras, saem as azeitonas, as quais são processadas em Maria da Fé - MG, dando origem à um delicioso azeite extra-virgem, que é vendido em seu sítio. Parte das castanhas portuguesas, são dadas para alimentação de seus porcos, que são abatidos e vão fazer parte do cardápio de seu pequeno restaurante, que será inaugurado em breve e fica lá mesmo, no sítio. Sim, é um processo semelhante aos "Pata-negra", famosos porcos do sul da Espanha, comedores de bolota. Os vinhos são feitos alí mesmo, em uma minúscula vinícola e parte deles são envelhecidos em carvalho francês, que descançam em uma charmosa adega de pedras. As parreiras mais antigas já estão com 8 anos e crescem em colinas, no sistema espaldeira, com proteção de capas de plástico. Em pouco mais de meio hectare, Rodrigo apostou na cabernet sauvignon, malbec e cabernet franc, mas quem deu os melhores resultados foi a syrah. Parte dos vinhos são envelhecidos em carvalho e parte dos vinhos vão direto para a garrafa. Com uma produção minúscula, ainda está em fase experimental e os vinhos têm defeitos visíveis, como a alta acidez, a falta de maturidade e o baixo grau alcoólico. Mas, não pode-se negar a boa intenção de Rodrigo em realizar algo inovador. Seus vinhos não levam agrotóxicos, sulfitos e não passam por chaptalização, portanto são considerados vinhos naturais, ou seja, não têm máscara e traduzem exatamente o terroir, mostrando suas virtudes e defeitos. Rodrigo fez tudo certinho: sistema de condução espaldeira, plantação em colinas com boa drenagem e insolação, altitude, escolha de carvalho francês Allier, etc. Mas, depende muuuuuito das condições climáticas. Provei vinhos da safra 2013 e 2014 e apesar da safra 2014 estar muito jovem, é nítida a diferença de qualidade com a safra anterior. É claro, em regiões não qualificadas para plantação da vitis vinífera, a dependência das condições climáticas é muito maior. Conforme o próprio Rodrigo disse: "é fácil fazer vinho na Argentina e no Chile". Comprei alguns vinhos do Rodrigo e vou acompanhar a evolução em futuras visitas. Gostei muito de sua iniciativa e creio que em um futuro recente, poderemos ter um novo terroir com vinhos de qualidade no interior de São Paulo. Os preços dos vinhos não são proibitivos, mas estão numa faixa de valor acima da qualidade que têm, mas o esforço e a dedicação do Rodrigo fazem o entendimento dos valores, que se situam na faixa dos R$ 60,00 aos R$ 90,00, sendo que seu Pinot noir, "extraordinário, lembrando um borgonha", segundo o próprio Rodrigo, custa a bagatela de R$ 110,00 e já se esgotou, sendo que eu fui o comprador da última garrafa. Se é bom mesmo, vou descobrir quando abrir a garrafa. Quem estiver passeando em Campos do Jordão, vale a pena visitar o Rodrigo e seu Viveiro Frutopia, onde poderá almoçar em seu restaurante e desfrutar seus interessantes vinhos, ainda com defeitos, mas com bastante personalidade e ousadia. Fica à apenas 40 minutos de Campos do Jordão. Boa sorte, Rodrigo!

4 comentários:

  1. Ufa! Não desapareça por tanto tempo novamente.

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  2. Vou atrás desse vinho. Sou alérgica a sulfito. Obrigada pelo artigo.

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  3. Rodrigo, boa noite,
    Compramos o Syrah, safra 2014 e acabamos de provar.
    Como não conhecemos o vinho, ficamos na dúvida se é extremamente ácido com gosto de remédio por natureza ou por má conservação.
    Frequentamos São Bento com frequência e ficamos felizes de saber que vinhos estão sendo produzidos na região.
    Muito interessante a proposta de um restaurante slow food num lugar tão bonito e de natureza tão rica. Iremos conhecer.
    Obrigada

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  4. Rodrigo, boa noite,
    Compramos o Syrah, safra 2014 e acabamos de provar.
    Como não conhecemos o vinho, ficamos na dúvida se é extremamente ácido com gosto de remédio por natureza ou por má conservação.
    Frequentamos São Bento com frequência e ficamos felizes de saber que vinhos estão sendo produzidos na região.
    Muito interessante a proposta de um restaurante slow food num lugar tão bonito e de natureza tão rica. Iremos conhecer.
    Obrigada

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