O mundo em uma taças

Dê-me uma taça com um pouco de vinho, que


viajarei pelo mundo através de seus goles.






quinta-feira, 3 de maio de 2012

Morandé Terrarum reserva Carmenere 2004

São dessas histórias que vivem os enófilos, são estes prazeres ocasionais que nos incentivam à continuar procurando por verdadeiras "moscas brancas". Do que estou falando? Vou explicar. Era aproximadamente 20:00h, quando convidei um amigo para comer uma pizza brotinho em um bar em frente ao serviço. Este estabelecimento muito conhecido na cidade, ostenta verdadeiras raridades enológicas, algumas em estado precário de conservação. Ao observar em uma das paredes na parte interna do estabelecimento, deparei-me com uma garrafa de Morandé Terrarum reserva Carmenére 2004, ainda com aquele rótulo antigo, bastante manchado e envelhecido pelo tempo. É claro que não se trata de um vinho de alta guarda e as condições de armazenamento não eram as melhores, mas pelo menos a garrafa estava deitada e o produtor merece respeito, portanto pensei: por quê não comprar? O risco de levar esta garrafa para casa e me descepcionar ao abrí-la era grande, mas o prejuízo não seria tão grande, visto que paguei R$ 40,00 nesta raridade. Mas, se o vinho estivesse em boas condições, o prazer seria extra-sensorial. Ao chegar em casa, antes de abrir a garrafa, abri alguns livros Descorchados e verifiquei que Patrício Tapia não dava mais do que 4 ou 5 anos de vida para este vinho. Que equívoco tremendo Sr. Tapia! Obviamente, a rolha estava seca e se despedaçou, mas após a batalha inicial da abertura da garrafa, tudo o que veio só trouxe êxtase de prazer e alegria. Ao colocar na taça, um vermelho granada com reflexos cor de tijolo e bordas enormes estupidamente alaranjadas, dando uma aula visual de um vinho evoluído e no seu apogeu. No nariz, aromas elegantérrimos de frutas vermelhas maduras, algumas negras, especiarias como a pimenta negra, chocolate, pimentão e pasmém, o mentol do Maipo, bem suave. Aliás, tudo muito suave, nada se sobresaindo. Também havia espaço para pequenos toques animais de evolução e leve cedro. Sim, muito complexo para seu preço, mas esta complexidade só é atingida com este grau de evolução. E o álcool? Desapareceu por completo! Na boca, taninos ainda presentes e marcantes, porém evoluídos e aveludados, acidez incrivelmente ainda presente. Como pequenos defeitos, poderia ter mais corpo e um final mais longo. Então é isso pessoal, ninguém pode menosprezar a capacidade de evolução de um vinho e alguns profissionais entendidos no assunto deveriam ter mais cuidado para classificar estes vinhos como longevos ou não, até porquê nós estamos aprendendo agora à lidar com nossos vinhos sul-americanos e muitas surpresas estão por vir. Esta garrafa vem acabar de vez com essa história de que vinhos medianos não evoluem ou têm pouca longevidade, mas isso vai depender muito do produtor e de suas intenções. O que posso afirmar é que bebi esta garrafa inteira e não apenas um gole e garanto à vocês que o vinho estava ótimo e em exelente estado de conservação, o que me anima para garimpar outras raridades como esta, até porquê quem compra uma garrafa de Terrarum reserva não está pensando em guardá-la por anos. Então senhores, quando se depararem com estas "moscas brancas", não tenham medo e arrisquem. Nota: 91 pontos.

2 comentários:

  1. Caramba... ainda tenho uma garrafa de Morandé Terrarum Cabernet Sauvignon 2003. Muito bem armazenado em adega climatizada. Fiquei curioso.

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  2. Achei um destes nas coisas de uma tia falecida fiquei desconfiada para tomar não entendo de vinhos.

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